SANESUL
O projeto “Saneamento, Saúde e Meio Ambiente: Agentes comunitários transformam o uso da rede de esgoto em um compromisso coletivo” foi desenvolvido pela SANESUL em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde de Ponta Porã para enfrentar os desafios do saneamento básico e seus impactos no ambiente e na saúde pública. A iniciativa partiu da constatação de que cerca de 50 extravasamentos de esgoto ocorriam mensalmente no município, principalmente devido ao descarte inadequado de resíduos e ligações irregulares na rede coletora. Esses problemas geravam não apenas danos ambientais, mas também aumentavam a incidência de doenças como diarreia aguda, dengue e chikungunya, sobrecarregando o sistema de saúde local. A prática inovadora consistiu na capacitação de 200 Agentes Comunitários de Saúde (ACS) e Agentes de Combate a Endemias (ACE) para atuarem como multiplicadores de informações sobre o uso correto da rede de esgoto. Os agentes, que já possuem acesso regular aos domicílios, receberam treinamento técnico sobre o sistema de esgotamento sanitário, incluindo orientações sobre os resíduos permitidos, os riscos das ligações clandestinas e os procedimentos adequados para manutenção da rede. Além disso, foram distribuídos materiais educativos impressos e digitais para ampliar o alcance da campanha.
Os resultados, mensurados após 10 meses de implementação, demonstraram impactos significativos: redução de 19% no indicador de extravasamentos (de 2,69 para 2,17 eventos por 1.000 ligações ativas) e queda de 12% na incidência de extravasamentos por quilômetro de rede. Em relação à saúde pública, houve uma diminuição de 97% nas notificações de dengue e chikungunya e de 11% nos casos de diarreia aguda. Outro dado relevante foi o aumento de 58% nas denúncias de ligações irregulares, indicando maior engajamento da população na fiscalização e preservação da infraestrutura.
A iniciativa se destaca por sua abordagem intersetorial, unindo saneamento, saúde e meio ambiente em uma estratégia de baixo custo e alta eficácia. Ao aproveitar a capilaridade dos ACS e ACE no território, o projeto alcançou escala significativa sem exigir investimentos elevados em infraestrutura. Além disso, os resultados estão alinhados aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, em especial ao ODS 3 (Saúde e Bem-Estar), ODS 6 (Água Potável e Saneamento) e ODS 11 (Cidades Sustentáveis).
A replicabilidade do projeto é outro aspecto relevante, já que o modelo pode ser adaptado para outros municípios brasileiros que enfrentam desafios similares. A experiência de Ponta Porã mostra como a educação ambiental, aliada à participação comunitária e à integração entre políticas públicas, pode transformar realidades locais, promovendo sustentabilidade, saúde e qualidade de vida para a população.
O projeto demonstra uma clara sinergia entre sustentabilidade ambiental e eficiência operacional, trazendo benefícios tangíveis tanto para a empresa quanto para a comunidade atendida. Ao reduzir em 19% os extravasamentos de esgoto e em 12% sua incidência por quilômetro de rede, a iniciativa impactou diretamente nos custos operacionais da companhia, diminuindo em 8,78% os serviços de manutenção solicitados (de 558 para 509 intervenções no período analisado). Do ponto de vista financeiro, a prática se mostrou altamente vantajosa. O modelo implementado exigiu baixos investimentos – basicamente custos com capacitação e material educativo – enquanto gerou economias significativas em manutenção corretiva. Além disso, ao reduzir a ocorrência de extravasamentos, o projeto contribuiu para a preservação da infraestrutura existente, prolongando a vida útil dos ativos e diminuindo a necessidade de investimentos em reparos estruturais.
A iniciativa também fortaleceu a relação da SANESUL com a comunidade e com o poder público local. Ao capacitar agentes de saúde – figuras já reconhecidas e respeitadas pela população – a empresa conseguiu estabelecer um canal de comunicação eficiente com os usuários do serviço. Isso se refletiu no aumento de 58% nas denúncias de ligações irregulares, demonstrando maior engajamento da população na preservação do sistema de esgotamento sanitário.
No aspecto reputacional, o projeto posiciona a SANESUL como uma empresa inovadora e comprometida com a sustentabilidade. A redução de 97% nos casos de dengue e chikungunya e de 11% nas internações por diarreia aguda comprovam o impacto social positivo da iniciativa, reforçando a imagem institucional da empresa perante a sociedade e os órgãos reguladores.
A estratégia também apresenta excelente relação custo-benefício quando comparada a investimentos tradicionais em expansão de rede ou modernização de sistemas. Com baixos recursos, foi possível obter melhorias significativas na eficiência operacional e na qualidade do serviço prestado, demonstrando que soluções inovadoras podem complementar os investimentos convencionais em saneamento básico.
A replicabilidade do modelo em outras regiões atendidas pela SANESUL representa uma oportunidade de negócio relevante. A metodologia desenvolvida pode ser adaptada para diferentes contextos urbanos, permitindo que os benefícios operacionais e financeiros sejam ampliados em escala. Isso é particularmente importante considerando os desafios de universalização dos serviços de saneamento no país e as metas estabelecidas pelo Marco Legal do Saneamento.
Por fim, o projeto se alinha perfeitamente às tendências contemporâneas de ESG (Environmental, Social and Governance), atendendo simultaneamente aos pilares ambiental (redução de impactos negativos no meio ambiente), social (melhoria na qualidade de vida da população) e de governança (gestão eficiente de recursos). Esta conformidade com os princípios ESG não apenas melhora o posicionamento estratégico da empresa, como também a torna mais atrativa para potenciais investidores e parceiros comerciais.
O projeto da SANESUL apresenta inovações significativas em sua concepção, metodologia e implementação, diferenciando-se das práticas convencionais de saneamento básico. A abordagem inovadora reside na integração sistêmica entre três setores tradicionalmente desconexos: saneamento, saúde pública e educação comunitária, criando um modelo de intervenção social com impactos mensuráveis tanto na infraestrutura quanto nos indicadores de saúde. A principal inovação conceitual foi a transformação dos Agentes Comunitários de Saúde (ACS) e Agentes de Combate a Endemias (ACE) – profissionais tradicionalmente voltados para a atenção primária em saúde – em multiplicadores de conhecimento sobre saneamento básico. Esta abordagem aproveitou a capilaridade única desses profissionais, que possuem acesso regular a 100% dos domicílios na área urbana, criando um canal de comunicação direto e confiável com a população. O diferencial metodológico está na adaptação de técnicas de educação popular em saúde para o contexto do saneamento ambiental, desenvolvendo materiais didáticos específicos e linguagem acessível sobre o funcionamento técnico das redes de esgoto.
Na implementação, o projeto inovou ao estabelecer um sistema de monitoramento em tempo real que correlaciona dados operacionais da SANESUL (extravasamentos, manutenções) com indicadores epidemiológicos municipais (casos de doenças de veiculação hídrica). Esta integração de bancos de dados permitiu uma avaliação precisa do impacto da intervenção, demonstrando a relação direta entre educação comunitária e melhoria dos serviços de saneamento.
Embora não tenha utilizado tecnologias como Inteligência Artificial, o projeto se destacou pelo uso estratégico de tecnologias sociais e metodologias participativas. O desenvolvimento de um aplicativo específico para os ACS registrarem ocorrências de uso inadequado da rede de esgoto durante suas visitas domiciliares representou uma inovação tecnológica simples porém eficaz, permitindo mapear áreas críticas e direcionar ações educativas de forma precisa.
A prática gerou conhecimento aplicável que pode ser protegido como propriedade intelectual, particularmente a metodologia de capacitação cruzada entre profissionais de saúde e operadores de saneamento. O material educativo desenvolvido – que inclui infográficos explicativos sobre o ciclo do saneamento e os impactos do descarte inadequado – possui potencial para registro de direitos autorais como ferramenta pedagógica inovadora.
Academicamente, o projeto tem contribuições relevantes para as áreas de saúde coletiva e engenharia sanitária, demonstrando na prática a tese da Organização Mundial da Saúde sobre o retorno econômico de investimentos em saneamento (cada R$1 investido gera economia de R$4 em saúde). Os resultados já serviram de base para dois artigos científicos em desenvolvimento pela equipe técnica da SANESUL em parceria com universidades locais.
A abordagem se mostrou inovadora também na governança, criando um comitê intersetorial permanente entre a concessionária de saneamento, secretaria municipal de saúde e lideranças comunitárias. Este arranjo institucional, que garante a continuidade das ações, representa um modelo replicável de gestão colaborativa em serviços públicos essenciais.
Comparado às práticas usuais do setor – que normalmente se limitam a campanhas pontuais de conscientização ou investimentos em expansão de rede – o projeto de Ponta Porã se destaca por sua abordagem sistêmica, baixo custo de implementação e resultados mensuráveis em múltiplas dimensões (operacional, sanitária e ambiental). A metodologia desenvolvida tem potencial para se tornar referência nacional em soluções inovadoras para os desafios do saneamento básico, particularmente no contexto das metas do Marco Legal do Saneamento.
O projeto “Saneamento, Saúde e Meio Ambiente: Agentes comunitários transformam o uso da rede de esgoto em um compromisso coletivo” foi desenvolvido pela SANESUL em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde de Ponta Porã para enfrentar os desafios do saneamento básico e seus impactos no ambiente e na saúde pública. A iniciativa partiu da constatação de que cerca de 50 extravasamentos de esgoto ocorriam mensalmente no município, principalmente devido ao descarte inadequado de resíduos e ligações irregulares na rede coletora. Esses problemas geravam não apenas danos ambientais, mas também aumentavam a incidência de doenças como diarreia aguda, dengue e chikungunya, sobrecarregando o sistema de saúde local. A prática inovadora consistiu na capacitação de 200 Agentes Comunitários de Saúde (ACS) e Agentes de Combate a Endemias (ACE) para atuarem como multiplicadores de informações sobre o uso correto da rede de esgoto. Os agentes, que já possuem acesso regular aos domicílios, receberam treinamento técnico sobre o sistema de esgotamento sanitário, incluindo orientações sobre os resíduos permitidos, os riscos das ligações clandestinas e os procedimentos adequados para manutenção da rede. Além disso, foram distribuídos materiais educativos impressos e digitais para ampliar o alcance da campanha.
Os resultados, mensurados após 10 meses de implementação, demonstraram impactos significativos: redução de 19% no indicador de extravasamentos (de 2,69 para 2,17 eventos por 1.000 ligações ativas) e queda de 12% na incidência de extravasamentos por quilômetro de rede. Em relação à saúde pública, houve uma diminuição de 97% nas notificações de dengue e chikungunya e de 11% nos casos de diarreia aguda. Outro dado relevante foi o aumento de 58% nas denúncias de ligações irregulares, indicando maior engajamento da população na fiscalização e preservação da infraestrutura.
A iniciativa se destaca por sua abordagem intersetorial, unindo saneamento, saúde e meio ambiente em uma estratégia de baixo custo e alta eficácia. Ao aproveitar a capilaridade dos ACS e ACE no território, o projeto alcançou escala significativa sem exigir investimentos elevados em infraestrutura. Além disso, os resultados estão alinhados aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, em especial ao ODS 3 (Saúde e Bem-Estar), ODS 6 (Água Potável e Saneamento) e ODS 11 (Cidades Sustentáveis).
A replicabilidade do projeto é outro aspecto relevante, já que o modelo pode ser adaptado para outros municípios brasileiros que enfrentam desafios similares. A experiência de Ponta Porã mostra como a educação ambiental, aliada à participação comunitária e à integração entre políticas públicas, pode transformar realidades locais, promovendo sustentabilidade, saúde e qualidade de vida para a população.
O projeto atendeu a demandas críticas da sociedade e do meio ambiente, promovendo impactos significativos em saúde pública, conservação ambiental e desenvolvimento social. A iniciativa foi planejada com base em dados oficiais (IBGE, DATASUS, SIGIS/SANESUL) e cenários epidemiológicos locais, que apontavam altos índices de doenças de veiculação hídrica e extravasamentos de esgoto devido ao uso inadequado da rede coletora. Verificou-se resultados diretamente e indiretamente relacionados aos impactos ambientais e as estratégias para Sustentabilidade, tais como:
1. Redução da Poluição Hídrica e do Solo:
A prática diminuiu em 19% os extravasamentos de esgoto (de 2,69 para 2,17 eventos por 1.000 ligações), evitando a contaminação de rios e solos. O esgoto não tratado é uma das principais fontes de degradação ambiental, e sua redução contribui diretamente para a preservação da biodiversidade e dos recursos hídricos.
2. Mitigação de Doenças Relacionadas ao Saneamento (DRSAI):
Houve queda de 97% nas notificações de dengue e chikungunya e 11% nos casos de diarreia aguda, doenças diretamente ligadas à falta de saneamento adequado. Isso demonstra o alinhamento com os ODS 3 (Saúde e Bem-Estar) e 6 (Água Potável e Saneamento).
3. Eficiência Operacional e Redução de Custos Ambientais:
A diminuição de 8,78% nas solicitações de serviços de manutenção (de 558 para 509) reduziu o consumo de recursos em reparos e otimizou a operação do sistema de esgotamento sanitário, diminuindo o impacto ambiental das atividades corretivas.
4. Combate às Mudanças Climáticas Indiretas:
Ao evitar o lançamento de esgoto in natura no meio ambiente, o projeto contribuiu para a redução de emissões de metano (CH₄) e outros gases poluentes gerados pela decomposição de matéria orgânica em corpos hídricos.
Além disso, também listamos os impactos Sociais e de desenvolvimento comunitário alcançados com o projeto.
1. Empoderamento Comunitário e Educação Ambiental:
A capacitação de 200 agentes comunitários de saúde (ACS) e de combate a endemias (ACE) permitiu que a população local recebesse orientações sobre o uso correto da rede de esgoto, promovendo mudanças comportamentais duradouras.
2. Inclusão Social e Engajamento Local:
Os ACS e ACEs, que já atuam em contato direto com as famílias, foram transformados em multiplicadores de conhecimento, fortalecendo a relação entre a empresa de saneamento e a comunidade. Essa abordagem coloca as pessoas no centro da estratégia, garantindo que as soluções sejam acessíveis e culturalmente adaptadas.
3. Redução de Desigualdades em Saúde (ODS 10):
As áreas mais vulneráveis, com maior incidência de doenças e falta de informação, foram priorizadas, garantindo que os benefícios do saneamento chegassem a quem mais precisava.
Portanto, a prática não apenas resolveu um problema operacional (obstruções e extravasamentos), mas também transformou o saneamento em uma ferramenta de promoção da saúde e conservação ambiental, com resultados mensuráveis e replicáveis. Ao integrar educação, engajamento comunitário e gestão técnica, o projeto se destaca como um modelo inovador para saneamento sustentável e inclusivo, atendendo às necessidades sociais e ambientais de forma eficaz.
Esses resultados reforçam que a iniciativa é um caso de sucesso em sustentabilidade aplicada, merecedor de reconhecimento em premiações como o AMCHAM ECO 2025.
Fontes Utilizadas:
• Dados Epidemiológicos: Secretaria Municipal de Saúde de Ponta Porã (SIVEP/DDA) e SES/MS (casos de dengue, diarreia).
• Indicadores de Saneamento: Sistema de Informações Georreferênciadas da Sanesul – SIGIS/SANESUL (extravasamentos, ligações ativas, solicitação de serviços, serviços executados).
• Referências Técnicas: ABNT NBR 9648 (sistemas de esgoto), IBGE (Atlas do Saneamento 2021).
• Metas Globais: Alinhamento com ODS 3, 6, 11 (Cidades Sustentáveis) e 13 (Ação Climática).
A implementação do projeto contou com um engajamento estratégico da liderança, desde a alta diretoria até as equipes operacionais, garantindo alinhamento com os objetivos corporativos de sustentabilidade e eficiência. A seguir, detalha-se como a gestão promoveu ativamente a prática, as ações específicas adotadas e os sistemas de monitoramento desenvolvidos para assegurar seu sucesso.
1. Liderança Estratégica e Integração Multissetorial
A diretoria da SANESUL, sob a coordenação do Diretor de Engenharia e Meio Ambiente, Leopoldo Godoy do Espírito Santo, estabeleceu a iniciativa como prioridade institucional, integrando-a ao planejamento estratégico da empresa. A prática foi alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, especialmente ODS 3 (Saúde e Bem-Estar), ODS 6 (Água Potável e Saneamento) e ODS 11 (Cidades Sustentáveis). Para viabilizar sua execução, a liderança:
• Criou um comitê intersetorial com representantes das áreas de Engenharia, Meio Ambiente, Operações e Relações Institucionais, garantindo colaboração entre departamentos.
• Firmou parcerias estratégicas com a Secretaria Municipal de Saúde de Ponta Porã e a Ambiental MS Pantanal (concessionária de serviços de esgoto), assegurando suporte técnico e logístico.
• Incentivou a participação de agentes comunitários de saúde (ACS) e de combate a endemias (ACE), transformando-os em multiplicadores do projeto.
2. Suporte na Implementação e Capacitação
A liderança assegurou recursos financeiros, humanos e tecnológicos para a execução do projeto, incluindo:
• Investimento em capacitação: Realização de treinamentos presenciais e distribuição de materiais educativos ilustrados para os ACS e ACE, com conteúdo sobre o funcionamento da rede de esgoto, impactos do descarte incorreto e boas práticas ambientais.
• Infraestrutura de monitoramento: Utilização do Sistema de Informações Georreferenciadas da SANESUL (SIGIS) para mapear extravasamentos e acompanhar indicadores em tempo real.
• Canais de comunicação direta: Criação de um canal exclusivo para denúncias de ligações irregulares e dúvidas da população, integrado à equipe de fiscalização.
3. Integração com Programas de Incentivo e Reconhecimento
Para garantir o engajamento interno e externo, a gestão adotou medidas de reconhecimento e incentivo, como:
• Inclusão de metas de redução de extravasamentos nos indicadores de desempenho das equipes operacionais, vinculando parte da remuneração variável aos resultados do projeto.
• Divulgação interna dos resultados por meio de boletins e workshops, destacando o impacto do projeto na saúde pública e na eficiência operacional.
4. Planejamento, Execução e Avaliação de Resultados
O projeto foi estruturado em três fases, com sistemas de gestão específicos para cada etapa:
Planejamento
• Diagnóstico inicial: Análise de dados históricos de extravasamentos, doenças relacionadas ao saneamento e cobertura da rede de esgoto.
• Definição de metas claras: Reduzir em 15% os extravasamentos em 12 meses e diminuir notificações de doenças de veiculação hídrica.
• Cronograma detalhado: Capacitação dos agentes em 1 mês, seguida de 10 meses de ações educativas e 3 meses de consolidação dos resultados.
Execução
• Monitoramento contínuo: Uso do SIGIS para registrar extravasamentos e do Sistema de Vigilância Epidemiológica (SIVEP) para acompanhar casos de dengue, chikungunya e diarreia.
• Ajustes em tempo real: Identificação de bairros críticos e realocação de agentes comunitários conforme a demanda.
O sucesso da iniciativa deve-se ao comprometimento ativo da alta gestão, que não apenas alocou recursos, mas também integrou a prática à cultura organizacional da SANESUL. A abordagem multissetorial, o uso de tecnologia para monitoramento e a vinculação de metas a incentivos demonstraram que a empresa prioriza inovações sustentáveis com impacto social mensurável. O projeto, já premiado no Prêmio Universalizar da AESBE e no Prêmio Ipê Amarelo do CREA/MS, consolida-se como modelo replicável, reforçando o papel da liderança na transformação de desafios operacionais em soluções coletivas.
Destaques para a Comissão de Premiação:
• Alinhamento com ESG: O projeto reduz custos operacionais, melhora indicadores de saúde e fortalece a imagem institucional.
• Governança transparente: Metas claras, sistemas de monitoramento e avaliação contínua garantem eficácia.
• Engajamento multinível: Envolvimento desde a diretoria até agentes comunitários e população.
• Resultados comprovados: Dados quantitativos e qualitativos validam o impacto socioambiental.
• Potencial de escala: Metodologia adaptável a outros municípios, ampliando o legado da premiação.
O projeto desenvolvido em Ponta Porã apresenta características que o tornam altamente replicável em diferentes contextos urbanos do país. Sua principal vantagem reside na utilização de uma infraestrutura já existente – a rede de agentes comunitários de saúde do SUS – o que elimina a necessidade de grandes investimentos em estrutura física ou contratação de novos profissionais. O modelo se mostra financeiramente acessível para a maioria dos municípios brasileiros, com custos concentrados principalmente na capacitação dos agentes e produção de materiais educativos, que podem ser facilmente adaptados às particularidades regionais e culturais de cada localidade. A metodologia desenvolvida permite uma ampla disseminação através de várias estratégias complementares. Pode ser incorporada aos planos municipais de saneamento básico, estabelecer parcerias com consórcios intermunicipais ou mesmo ser integrada a programas nacionais como o Programa Nacional de Saneamento Rural. A formação de multiplicadores entre os próprios agentes comunitários cria um efeito cascata que amplia significativamente o alcance da iniciativa com recursos relativamente limitados.
Para garantir a continuidade das ações, o projeto prevê mecanismos de institucionalização através de portarias e normativas municipais, assegurando sua permanência independentemente de mudanças na gestão pública. A alocação de recursos específicos no orçamento anual das secretarias de saúde e saneamento, combinada com um sistema permanente de monitoramento de indicadores, cria as condições necessárias para a sustentabilidade a longo prazo. A capacitação periódica de novos agentes, decorrente da natural rotatividade desses profissionais, assegura a renovação geracional do conhecimento.
O potencial de ampliação do projeto se manifesta em três dimensões principais: vertical (com a inclusão de novas temáticas como reúso de água e economia circular), horizontal (expansão para outros municípios) e setorial (adaptação para outras áreas como coleta seletiva e conservação ambiental). A superação de possíveis barreiras, como resistência cultural ou descontinuidade política, está prevista através de abordagens graduais, formalização em instrumentos legais e sistemas de indicadores objetivos.
A transferência do conhecimento acumulado pode ser facilitada através de um guia metodológico detalhado, banco de materiais educativos adaptáveis, kit de indicadores padronizados e plataformas digitais para troca de experiências. O alinhamento natural do projeto com políticas públicas estabelecidas – como o Marco Legal do Saneamento, a Política Nacional de Resíduos Sólidos e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável – facilita sua integração nas agendas governamentais em diferentes esferas.
As lições aprendidas em Ponta Porã destacam a importância do diagnóstico local prévio, da adaptação cultural, da participação comunitária efetiva e da abordagem intersetorial como fatores críticos para o sucesso da replicação. A natureza do projeto, que combina baixo custo com alto impacto social e ambiental, aliada à sua fácil adaptabilidade, configura-o como uma verdadeira tecnologia social com potencial para se tornar referência nacional em educação sanitária comunitária, contribuindo de forma significativa para os desafios da universalização do saneamento básico no Brasil.