14/10/2008 - Brasil terá saldo ambiental positivo em 2050

José Roberto Kassai,
professor da FEA-USP
O Brasil apresentará saldo positivo de US$ 544 bilhões entre crescimento da economia e conservação de seus recursos naturais em 2050. O patrimônio, que evidencia a importância de suas florestas no cenário global, foi calculado no estudo “Balanço das Nações: uma reflexão sob o cenário das mudanças climáticas”, realizado pela Universidade de São Paulo (USP).

“O valor está relacionado ao excedente de créditos de carbono em relação ao que se polui. Isso se deve às florestas brasileiras, especialmente à Amazônia”, diz José Roberto Kassai, professor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da USP e coordenador da pesquisa inédita, anunciado no evento Amazônia - Dilemas e Oportunidades, promovido nesta segunda-feira (13/10) pela Amcham em São Paulo. A ação faz parte do Prêmio Eco, realizado há 26 anos pela entidade.

Com base na equação da contabilidade aplicada pelas empresas – ativo menos passivo é igual a patrimônio liquido (PL) –, foi desenvolvido um modelo para mensurar a relação entre a expansão das atividades econômicas e a preservação dos recursos naturais em sete países – Brasil, Rússia, Índia, China, Estados Unidos, Alemanha e Japão – até 2050.

Desequilíbrio

De acordo com o estudo da USP, somente Brasil e Rússia terão superávit dentro de 50 anos. O déficit global será de US$ 15,3 trilhões ao ano. “Isto equivale a um quarto do PIB mundial. Se o planeta fosse uma empresa, seria o mesmo que dizer que entrou em falência”, afirma Kassai.
O balanço consolidado do planeta aponta um patrimônio líquido negativo de US$ 2,3 mil anuais para cada um dos 6,6 bilhões de habitantes. Conforme o professor, o quadro indica que os cidadãos terão renda insuficiente para honrar seus compromissos com a preservação do meio ambiente, o que colocará a necessidade de redução das emissões ou negociação de créditos de carbono de outras nações.

As situações privilegiadas do Brasil e da Rússia em relação ao patrimônio líquido ambiental serão insuficientes para reverter o resultado mundial, pois representam menos de 5% do déficit total. “Países como Estados Unidos e China, os maiores emissores de dióxido de carbono, precisam se conscientizar”, diz o professor.

Os países pesquisados pela USP representam 32% da área emersa do planeta, 50% da população mundial e 68% do Produto Interno Bruto (PIB) global. Os cenários futuros em relação ao meio ambiente empregados no levantamento são os gerados pelo Intergovernamental Panel on Climate Change (IPCC) da Organização das Nações Unidas (ONU).

Amazônia e seus cenários

Segundo Kassai, dentre os dados para se chegar ao PL ambiental brasileiro, foi utilizada uma média entre 16 cenários otimistas e pessimistas em relação à Amazônia, que consideram principalmente preservação ou desmatamento, o uso de novas tecnologias ou não e o cumprimento do Protocolo de Quioto ou não.

Esse trabalho ficou por conta do professor Rafael Feltran-Barbieri, pesquisador na área de energia das mudanças climáticas. Ele analisou os dados da ONU com maior profundidade, observando, por exemplo, que a tundra russa tem capacidade maior de absorção de moléculas de carbono do que a floresta amazônica brasileira. “No caso do Brasil, ao usarmos a média dos cenários, podemos dizer que, se ocorrerem avanços nas políticas sustentáveis e na conservação das florestas, os resultados podem ser mais positivos. Esse é o grande desafio”, conclui o professor Kassai.

Clique abaixo e veja a apresentação sobre o Balanço das Nações (Uma reflexão Contábil sob o cenário de Mudanças Climáticas Globais):




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