04/06/2008 - Práticas sustentáveis na construção civil despontam no Brasil
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Vanderley Moacyr John,
professor associado da Poli-USP |
O setor de construção civil brasileiro começa a adotar práticas sustentáveis, garante Vanderley Moacyr John, professor associado da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP). Segundo ele, o principal desafio nesse sentido é reduzir o volume de resíduos sólidos, fazer a deposição de maneira apropriada e ampliar o uso de materiais ecoeficientes ou que possam ser reciclados.
"A massa de resíduos das atividades de construção, manutenção e demolição é superior à do lixo urbano. Metade dela é gerada em pequenas reformas, feitas por cidadãos comuns. A informalidade no transporte desses resíduos faz com que grandes volumes sejam depositados ilegalmente", disse o engenheiro, que também é diretor do Conselho Brasileiro de Construção Sustentável (CBCS), nesta quarta-feira (04/06).
De acordo com o especialista, todos os cidadãos podem executar empreendimentos sustentáveis. "Não há uma receita, mas é preciso buscar soluções que entreguem a obra com conforto e segurança, com menor impacto ambiental e maximização dos benefícios para a sociedade como um todo – não apenas moradores ou usuários diretos, mas também trabalhadores e vizinhos", comentou.
John considera que o País inicia esse movimento com boa base de produtos, como aquecedores solares, equipamentos para economia de água e energia, madeiras certificadas, cimentos e aço ecoeficientes, ou seja, com processo de produção sustentável, eficiência energética, menor poluição e preocupação com questões sociais. Ele também orienta os empreendedores a utilizarem materiais que tenham sido desenvolvidos visando reciclagem posterior.
Mão-de-obra informalNa visão do professor da Poli, o grande número de trabalhadores informais na construção civil é uma questão que precisa ser solucionada. "Número significativo dos operários dedicados a construirem cidades formais vive na pobreza das cidades informais", comparou.
Para John, os conceitos de construção verde importados pelo Brasil são positivos, mas voltados somente a aspectos ambientais. Ele recomenda que a questão social, especificamente a contratação com carteira de trabalho assinada e aspectos relacionados à saúde, seja discutida em profundidade no País.
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